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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ela era seca

O príncipe foi coroado antes mesmo de receber a coroa. E pior! Fugiu da corte sem saber da coroação.  E a princesa, pobre plebéia, que estava toda feliz sentiu-se como nas poesias de Vinícius “ Fez-se de triste o que se fez contente e de sozinho o que se fez amante”.  Sentia seu coração comprimido, bem pequenininho, sem saber  por onde andava o príncipe.
 Oh, Deus! Pobre princesa  que depositou nele todo seu amor.
Sempre foi puramente sentimento e depois de toda a busca o príncipe foi achado em outras ilhas vivendo uma vida de rei com uma outra rainha.
Desse dia em diante a princesa não deixou de viver, mas passou a ter um olhar duro, com muita exatidão, sem meias delongas ou qualquer paixão. Dedicou toda sua vida aos miseráveis e costumava dizer que eles sim precisavam de seu amor! E ainda dizem por aí que ela era seca...

domingo, 29 de maio de 2011

Pingos de vela


Sento-me muitas vezes nessa mesma cadeira e curiosamente ao sentar aqui o pensamento é sempre o mesmo. Também,  o que eu queria? Estou sentada num chão frio, de frente pra lua e ao meu lado umas graminhas e folhas secas que eu teimo em rasgá-las e ficar destruindo-as... Olhando o tempo passar, olhando e separando todas as suas "veinhas". É... Eu sei que é estranho. O vizinho passa e sempre dá um ‘boa noite’ como se tivesse pena de mim, da minha "loucura". Fora dessa grama e desse ritual sagrado de todos os dias, eu sou uma mulher madura, bem sucedida, com bastante persuasão e muito cheia de mim. Transformo-me quando sento aqui. Estou sob o olhar da lua, me sinto como me sentia no colo da mamãe quando tinha 5 anos. Ingênua, protegida, ainda assim... Insegura...! Corria sempre para o colo da mamãe pra pedir proteção. Assim é até hoje. Mas já não tenho como correr pro colo da mamãe. Corro pro colo da lua. O ruim é que nela tem todas as minhas marcas. Sabe aquela parte escurinha da lua, que tem gente que diz que é são Jorge? Na verdade são minhas marcas. Minhas dores dos amores, ou melhor, desamores que tive e tenho. Ao olhá-la é impossível não lembrar de cada um com tanta  clareza. E vejo o quanto ainda te fazes presente em meus dias. E se a sugestão for recomeçar, pensemos então que só podemos recomeçar aquilo que já foi começado. Portanto... Já nem preciso dizer quantos recomeços pensados findaram em lágrimas. Lágrimas são pingos de vela na lua.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

FOGO

Filmes e mais filmes teimam em passar na minha mente, só para lembrar-te.
Assim toda saudosa, me vejo perdida a procurar o que ainda falta. Sinto uma tranquila inquietude, talvez por saber que o fim ainda não chegou, mas os ponteiros não param de tic-taquear.
Não posso mais fingir que está tudo ok! que estou satisfeita!
-Também estou feliz!
-MENTIRA!
As palavras pela metade, a vontade de discar teu numero, a falta de coragem de olhar tuas fotos que ainda estão ao lado da minha cama. Preciso acreditar em pesadelos. Isso mesmo, P-E-S-A-D-E-L-O-S!
Como pode então fazer do meu coração assim... papel amassado? elevador apertado? criança se afogando?apartamento pegando fogo? FOGO?FOGO! Está pegando fogo dentro da minha casa! Já estou toda queimada. Salvei meus filhos e suas fotos; aquela camisa vermelha sua, também. As chamas estão cada vez mais altas, está queimando tudo por dentro. Tudo está virando pó.
Como assim? Acabei de ver... lá está seu coração. Você partiu e deixou-o aqui. Calma, tirei-o de perto do fogo, está salvo aqui bem ao lado do meu.

domingo, 24 de abril de 2011

Desumano

-Todo esse desamor me dá embrulho no estômago, falta de apetite, insônia e muito alagamento por dentro e por fora dos meus olhos.


*******
Ilusão, amargura, desamor.
e tudo se repete...
****
E num sinal de fraqueza, orgulho e ainda assim fortidão, lá vai ela novamente tomar banho a fim de as lágrimas se misturarem com as águas, a fim de escoar toda dor que sentia, a fim de acabar com todo amor que possuia.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Queiras, meu anjo!

Os últimos dias sem lápis e papel na mão me foram sufocantes. Nada poderia me aflingir mais do que não poder (ao menos tentar) transcrever o que a tua ausência causa em mim. Perco meu tempo tentando ler, nas tuas ultimas letras escritas. Procuro cada vestígio alfabético teu ainda não lido. Me procuro nas letras achadas, me acho perdida em algumas de tuas canções. Tu não me matas com teu silêncio, mas permita-me te ver. Escorregar por entre teu rosto frio a minha mão tremula e te olhar nesses teu olhos tão negros, ainda que os meus estejam embassados pelo lacrimejar que nele se faz. Permita-me ainda em silêncio te abraçar e sentir mais de perto esse teu cheiro doce. Ah, meu anjo! Cadê você aqui para me proteger? Para onde fostes? Fostes sorrindo, soltastes minha mão dizendo que voltaria para me buscar. Aah, amarga mentira! Amarga mentira, que vem como o caju travando minha boca que suplica pelo beijo teu; pelos teus lábios macios, suaves, leve.
Um calafrio me dá n'alma só de lembrar-te abraçando-me. Queiras, anjo meu! Voltar à casa tua, que é teu este lugar. Nenhum outro anjo, semelhante a ti me deslumbrará. Se te bastar, ofereço-te este amor tão puro que quase se finda, mas ainda resta só para ti em meu coração. Queiras, anjo meu! Queiras-me, anjo meu!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Frevo canção

Oh,  triste melodia,
Que me lembra tantas folias
Que me traz tantas paixões
Ah... esse frevo canção!
Quantas são as marias
Nesse teu joão coração?
Calma, que ainda estou na euforia
do frevo do meio dia, da vassourinha,
do foleão

Tu me massacras noite e dia 
Cantas esse canto sincero
Que nessa linda harmonia
Interroga e massacra meu coração.
Doce vã agonia,
Com tantas outras valias
Fostes provar desse gosto
Doce, calmo é brisa e fogo
Que envenena toda a paixão.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Feito coisa sem valia

Entre um balanço e outro do carro o samba que toca no som acalenta um pouco o meu coração, samba de choro, chorinho de bossa, uma voz doce canta o desencanto de um amor. Fala da lágrima que em seu rosto rolou. Do aperto no peito que sentiu, dessa dor que tão forte apertou, uma dor bem saudosa, travosa como caju. Tudo isso num clima bem nublado, chuva grossa, enxurrada, relâmpagos e trovões embalam uma noite lenta e muito fria, feitas pra serem curtidas debaixo de uma coberta, com filme na TV e quem sabe um chocolate quente para os dois.
-Os dois?
- Sim! O casal perfeito, que se combinam muito, aqueles que se aquecem nesses dias de chuva, que tem um ao outro.
Mas meu dia teve tudo isso, samba, chuva, imprevistos, anoiteceu, relampejou, trovejou, ventou frio, muito frio, doeu bem forte, e ainda dói, amargou, tinha  filme e chocolate quente, um cobertor bem grosso, mas faltou alguém.
Então pego meu violão e começo a tocar aquela música de nós dois, a música da tragédia do nosso amor, aquela bossa quase fossa que mais ainda me amargou. Parei e peguei no chão uma folha amarelada solta feito qualquer coisa sem valia.era uma página velha de um diário, diário de outro alguém; uma história de uma garota que não estava feliz com o fim, pois não o queria. Olhei fixamente para aquelas letras e me pus a ler tremida e silenciosamente aquelas palavras, parecia então a minha história, que começa tão linda e do nada a autora, me parece que é péssima em português, não sabia se colocava uma vírgula ou um ponto final, mas se foi então como me pareceu, queria ela o amor do coração seu. Sabia bem que um ponto final, não seria apropriado, colocou  um ponto e vírgula, mas a pedido, arrancou a folha do seu diário.